Equador: Por Que o 'Modelo Bukele' Não Contém a Espiral de Violência e Suas Consequências
Apesar da militarização e adoção de táticas salvadorenhas, o país sul-americano viu os homicídios dispararem, revelando as complexas raízes do crime transnacional e suas implicações para o cidadão comum.
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O Equador, outrora considerado uma "ilha de paz", mergulhou em uma crise de segurança sem precedentes, culminando na declaração de um "conflito armado interno" pelo presidente Daniel Noboa em janeiro de 2024. A resposta governamental tem se pautado na adoção de um modelo que ecoa as estratégias de Nayib Bukele em El Salvador, caracterizado pela militarização da segurança pública e pela construção de megapenitenciárias. Inicialmente, essa abordagem pareceu oferecer um alívio temporário, com relatos de redução da violência intramuros.
Contudo, essa percepção de sucesso foi efêmera. O país registrou um alarmante aumento de 30,48% nos homicídios em 2025, totalizando 9.216 mortes, o que indica um dos períodos mais violentos de sua história. Este cenário revela que, apesar dos esforços visíveis, a complexa teia do crime organizado no Equador exige uma análise muito mais profunda do que a mera replicação de modelos exógenos.
A estratégia "linha dura" de Noboa, que inclui estados de exceção e a ostensiva presença militar, tem sido criticada por focar na "estética" da guerra contra o crime, sem de fato desmantelar suas estruturas. Especialistas apontam que as diferenças fundamentais entre os ecossistemas criminosos do Equador e de El Salvador tornam a transposição do modelo ineficaz. No Equador, o desafio é o crime transnacional, intrinsecamente ligado ao mercado global de cocaína e com financiamento quase ilimitado, operando em um território vasto e diversificado, com fronteiras porosas. Diferente das gangues salvadorenhas, as redes equatorianas são altamente fragmentadas, adaptáveis e profundamente enraizadas em diversas camadas da sociedade, o que impede uma solução simplista baseada apenas na força.
Por que isso importa?
Contexto Rápido
- O Equador tem visto uma escalada de violência desde 2023, transformando-se em um ponto estratégico para o narcotráfico internacional, culminando na declaração de conflito armado interno em janeiro de 2024.
- Em 2025, o país registrou 9.216 homicídios, um aumento de 30,48% em comparação com o ano anterior, evidenciando a fragilidade das medidas de segurança adotadas e a diversificação do crime para mais de 150 dos 222 cantões.
- A falha de modelos de segurança puramente militarizados contra o crime transnacional no Equador tem implicações diretas na estabilidade regional, expondo a fragilidade das instituições e o alto custo humano e econômico da violência descontrolada.